Prefiro ofendê-los com a verdade do que matá-los com a mentira
Jan Huss
Pr. Valgenor Oliveira
- Introdução
Nos três primeiros séculos da nossa era, ser cristão constituía um desafio que implicava, na maioria das vezes, em morte física, por causa das perseguições que a Igreja sofria por parte das autoridades pagãs. Era renúncia, dedicação e lealdade a Cristo, cabeça da Igreja.
A partir do ano 313, com a conversão do imperador Constantino e a cristianização do mundo, ser cristão tornou-se sinônimo de portador de uma fachada religiosa. O cristianismo tornou-se uma árvore frondosa, em cujos galhos se agasalham todo tipo de aves de rapina, que só servem para manchar a imagem de Cristo.
Daí a necessidade de se fazer a divisão entre o verdadeiro e o falso cristianismo. Estude conosco os capítulos seguintes e descubra, pelo Espírito Santo, se você vive uma vida cristã anormal ou uma vida cristã normal planejada por Deus.
- A Realidade da Salvação
Jesus Cristo, como único e suficiente Salvador, deu-nos Sua vida e não um novo sistema religioso. Aceitar a Jesus como Salvador é viver a experiência da salvação.
- É ser filho de Deus (Jo 1.12; Gl 4.5; Rm 8.16; 1 Jo 3.2; Sl 23).
- É ter nova vida em Cristo (2 Co 5.17).
- É desfrutar uma comunhão viva com uma pessoa real – Jesus Cristo
A. Os Três Tempos da Salvação – Passado – Presente – Futuro:
- No futuro, o crente será salvo do corpo do pecado = Glorificação (Rm 8.23; 13.11; 1 Co 9.25-27; 1 Pe 1.5; 1 Ts 4.16; 1 Co 15.52).
- No passado, o crente foi salvo da pena do pecado = Justificação (Rm 5.1,2; At 13.39; Rm 3.24; 8.33).
- No presente, o crente está sendo salvo do poder do pecado = Santificação (Rm 6.12-16; Fp 2.12; Gl 4.19).
Observação: O crente pode perder a salvação? Sim. Veja o condicional “se” com respeito à permanência (Jo 15.6; 1 Co 15.2; Cl 1.23; Hb 2.3; 3.14; 10.38; 1 Jo 1.7).
B. Jesus Faz a Grande Mudança:
- Liberta do império das trevas (Lc 23.43; Cl 1.13).
- Dá a remissão pelo Seu sangue (Cl 1.14; Ef 1.7).
- Transporta para o Seu Reino (Cl 1.13; 1.27).
- Torna idôneo para participar da Sua herança (Cl 1.12; Fp 3.20).
C. O Salvo por Cristo Tem as Seguintes Convicções:
- Sabe que o mundo o aborrece, pois não há comunhão entre a luz e as trevas (Jo 15.19; Jo 17.14; 1 Jo 3.1-13; Mt 10.34-39).
- Sabe que agora é filho de Deus por adoção (1 Jo 3.2; Fp 2.15; Rm 8.14-17; Ef 2.19).
- Sabe que será semelhante a Jesus (1 Co 15.49; Fp 3.21; 1 Jo 3.2).
- Sabe que verá a Jesus como Ele é (1 Jo 3.2; Jo 14.3; Ap 3.21).
- Sabe que passou da morte para a vida e tem o nome escrito no céu (Lc 10.20; 1 Jo 3.12).
- Sabe que está em Cristo e Cristo está nele (Jo 14.23; Gl 2.20; 1 Jo 3.14).
- Sabe que deve purificar-se a si mesmo a fim de possuir essa herança (1 Jo 3.3; Ap 22.14).
- O Novo Nascimento – João 3.1-10
Como acontece? (Hb 4.12; 1 Ts 5.23).
As duas maiores necessidades do ser humano são:
- Para o homem natural, não renascido: o novo nascimento.
- Para o renascido: a conservação do novo nascimento.
A. O Novo Nascimento é a Porta de Entrada Para uma Vida Cristã Normal:
- Proporciona ao renascido um vestido novo. Deus vestiu – o Diabo despiu – Cristo revestiu (Ef 4.24).
- É insubstituível (Jo 3.5).
- É indispensável (Jo 3.7).
- Opera despojando do velho homem (Cl 3.8-9; Ef 4.22).
- Revestindo do novo homem (Cl 3.10; Ef 4.24).
- Andando em novidade de vida (Rm 6.4).
- Abandonando as coisas velhas (2 Co 5.17).
- Realizando um transplante que só Deus faz (Ez 26.25-27).
O coração do homem natural:
- É perverso e incrédulo (Hb 3.12).
- É enganoso e corrupto (Jr 17.9).
- É sujo (Tg 4.8).
- É duro (Ef 4.18).
O coração do homem espiritual:
- É lavado e purificado (At 15.9).
- É templo do Espírito Santo (1 Co 6.19).
- É reservatório de águas puras (Ez 36.25).
Evidências da nova vida em Cristo:
- Prazer na Lei do Senhor (Sl 1.1-3).
- Prazer na comunhão com os irmãos (Sl 16.3; Lc 15.10; Mt 18.10).
- Dedicação aos interesses de Deus (Mt 5.13-16).
Observação: A mais profunda renovação que pode ocorrer na vida de um ser humano não está condicionada à mudança de uma data, aparência física, posição social e econômica, mas à operação regeneradora do Espírito Santo dentro dessa pessoa.
- O Crescimento em Cristo – 2 Pe 3.18
A vida cristã pode ser comparada à vida física. Ao nascimento segue-se o crescimento. A melhor maneira de evitarmos a queda é através do crescimento cristão positivo (Lc 2.40), visto que aceitar a Jesus como Salvador equivale a declarar guerra ao Diabo, ao mundo e à carne.
- Diabo – inimigo ao lado (1 Pe 5.8).
- Mundo – inimigo em volta (1 Jo 2.15-16; Tg 4.4).
- Carne – inimigo dentro (Rm 8.5-9).
A. O Raquitismo Espiritual:
A falta de crescimento tem sido a causa de grandes males na Igreja, fracionando o Corpo de Cristo (1 Co 11.18).
- Removendo os embaraços (Hb 12.1-2; 12.12).
- As crianças de Corinto e o partidarismo religioso (1 Co 3.1-9).
- Andando segundo os homens (v. 3).
Tipos de espírito partidário:
- Fundamentalista – grupo impressionado pela autoridade apostólica de Paulo, por ser fundador da Igreja.
- Tradicionalista – grupo dos judeus ainda presos às tradições judaicas, representados por Pedro.
- Intelectualista – seguidores de Apolo, eloquente judeu alexandrino, herói da classe dos intelectuais.
- Espiritualista – grupo dos “Só Jesus”, que não reconheciam autoridade humana, insubmissos declarados.
Alternativas para o crescimento:
- Deixando e desejando (1 Pe 2.1-2).
- Deixando coisas que são próprias de crianças:
- “…para que não sejamos mais como meninos…” (Ef 4.14).
- “…agia como menino…” (1 Co 13.11; Is 58.3).
- Desejando coisas que acompanham a salvação (Hb 6.9):
- Alimentação adequada – “…nem só de pão vive o homem…” (Mt 4.4).
- Apetite de criança desordenada (1 Pe 2.2).
- O crescimento que procede de Deus (Cl 2.19).
- O que nos faz crescer (At 12.24; 19.2).
- Exercícios para o desenvolvimento (1 Tm 4.7-8).
Aceitando o desafio e pagando o preço do discipulado (Lc 9.23-26):
Ser discípulo é:
- Vencer a si mesmo (v.23).
- Renunciar as obras da carne (Gl 5.17-21; Rm 7.18-21).
- Tomar cada dia a sua cruz (Lc 9.23).
- Permanecer firme contra o diabo (Ef 6.11).
- Vencer o mundo (Lc 9.23; 1 Jo 5.4-19; Rm 12.2).
- Perder, se necessário, a própria vida (Lc 9.24).
- Pôr em prática a Palavra de Deus (Lc 9.26; Tg 1.21-24; Sl 119.105).
Observação: Se não pagarmos o alto preço do discipulado, o nosso prejuízo será incalculável (Ec 11.9; Mt 16.24-26).
Tornando Cristo também o nosso dependente: “…Cristo engrandecido no meu corpo…” (Fp 1.20):
- Cristo andando por nossos pés.
- Cristo falando por nossos lábios.
- Cristo trabalhando por nossas mãos.
- Cristo vendo por nossos olhos.
- Cristo ouvindo por nossos ouvidos.
- Cristo amando por nossos corações.
- Cristo pensando por nossas mentes (1 Co 2.16).
- Cristo em vós, esperança da glória (Cl 1.27).
- Desenvolvimento Espiritual – Fp 2.12
Eu e Jesus… um só? (1 Pe 3.18). Assim como um embrião disforme pouco a pouco vai assumindo a forma de um homem, assim também o crente imaturo, pouco a pouco, vai assumindo a semelhança de Cristo.
“…transformado de glória em glória na Sua imagem…” (2 Co 3.18).
A. O desenvolvimento espiritual, em parte, se assemelha a uma corrida:
O corredor, sua preparação e a própria corrida exigem concentração, autodisciplina, ritmo e atenção ao alvo.
B. A Bíblia mostra que há semelhança entre o desenvolvimento espiritual e o desenvolvimento físico.
C. Etapas no desenvolvimento espiritual:
- Primeira infância = criancinha.
- Segunda infância = adolescência.
- Varonilidade = idade adulta.
D. O desenvolvimento no temor do Senhor (Fp 2.12):
- O subdesenvolvimento espiritual atrofia o Corpo do Senhor – Igreja.
- O desenvolvimento glorifica a Cabeça – Cristo (1 Pe 4.11).
- Maturidade Cristã e Reprodução – At 13.1-3
A nova vida constitui-se em experiência de crescimento até a maturidade em Cristo.
Assim como na vida física, para se atingir a maturidade passa-se por várias etapas, na vida espiritual essas etapas são indispensáveis.
A. O Espírito Santo nos faz iniciar na vida espiritual da mesma maneira que as pessoas começam na vida física:
QUADRO COMPARATIVO
| Físico – Nascimento Normal | Espiritual – Novo Nascimento |
Crescimento Ordenado
|
Crescimento em Cristo
|
| Desenvolvimento Coerente | Desenvolvimento Espiritual |
| Maturidade Mental | Maturidade Cristã |
| Reprodução – Multiplicação | Gerando Filhos Espirituais |
B. A Maturidade Cristã Não Está Condicionada ao Tempo de Fé:
- A imaturidade dos crentes hebreus (Hb 5.12-14) – “…devíeis ser mestres, pelo tempo…”.
- O uso dos dons espirituais (1 Co 1.7; 12.1).
- A posição de destaque no ministério (Mc 9.34).
C. A Maturidade Cristã Está Condicionada aos Pontos Anteriores:
- Novo nascimento.
- Crescimento em Cristo.
- Desenvolvimento da salvação.
D. Reprodução – Gerando Filhos Espirituais:
Salvação recebida é salvação transmitida.
- “Vinde e vede um homem…” (Jo 4.29-30).
- Operação Felipe: “Achamos o Messias” (Jo 1.45).
- Operação André: “E o levou a Jesus” (Jo 1.42).
A desconfortável estatística da Década da Colheita:
1924 → 1964 → 1974 → 1984 → 1990.
Nossa humilhante posição.
Causas do decréscimo:
- A má qualidade de alguns cultos.
- A má qualidade de alguns obreiros.
- A esterilidade de alguns crentes.
E. A Igreja Líder Gera a Igreja Movimento.
F. A Igreja Máquina Gera a Igreja Monumento.
Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo (Ef 4.13).